Mais de 250km de pedal, melhor churrasco, banho em apê desconhecido…a trip de Arthur Reis pela Argentina e Chile

A famosa "18 quilos", companheira inseparável de Arthur

Triatleta brasileiro viveu bons, difíceis e engraçados momentos viajando para o XTERRA Argentina e XTERRA Chile

 

Atual vice-campeão da faixa etária 25 a 29 anos do triathlon do XTERRA Brazil, Arthur Henrique Reis é presença constante nas etapas off-road brasileiras desde 2016. Com experiência no circuito brasileiro, o triatleta, que é natural de Cajamar, na grande São Paulo, resolveu se arriscar em edições internacionais neste ano de 2019. De cara, o desafio já foi duplo, o XTERRA Argentina em 23 e 24 de março e o XTERRA Chile em 30 e 31 de março.

 

Acompanhado apenas de sua bike, a “18 quilos”, apelido dado pelo amigo e também triatleta Daniel Pierre, Arthur Reis resolveu viajar pedalando, mas não todo o caminho. Primeiramente ele foi de avião até Mendoza e de lá, já em solo argentino, pegou uma carona com um carro de entregas até a rodoviária da cidade, onde pegou o ônibus para San Juan após desmontar a “18 kg” e guardá-la com carinho. “Quando cheguei em San Juan eu montei a bike e pedalei 30km – com uma mochila bem pesada nas costas – até o local da prova. Fiz uma prova legal, mas não foi o meu melhor, pois eu estava bem cansado fisicamente. Fiquei na sexta colocação na minha categoria”, relatou Arthur.

 

Passado o primeiro compromisso esportivo, Arthur precisava descansar e ficar em algum lugar. Então foi acolhido pelos atletas brasileiros Laura Mira, Daniel Pierre, Rafael Juriti, Luísa Saft e Alexandre Saft em uma casa alugada. Apesar de toda a boa experiência vivida até então, esta noite do dia 24 de março passaria a ser uma das mais marcantes na vida de Arthur, porém por um motivo gastronômico. “Passei a noite com meus amigos brasileiros que também competiram no XTERRA Argentina e já fui começando a preparação para a travessia para o Chile. Mas uma coisa que preciso dizer é que nesta noite eu comi o melhor churrasco da minha vida. Sério, estava muito bom! Foi um churrasco feito pelo Alê (Alexandre Saft), no estilo gaúcho, com carne argentina. Vou sempre contar isso. Rs”, relembrou aos risos.

 

Em 25 de março Arthur saiu de Mendoza com destino a Uspallata. Ali começaria a verdadeira viagem puxada de bike. Percorrendo um trajeto de 94km, o jovem foi parado na estrada por um casal de argentinos, que gentilmente, ofereceu um par de frutas para que pudesse ter energia para seguir o rumo. Arthur explicou que o homem argentino já havia feito um “mochilão” no Brasil e se identificou com o ciclista brasileiro.

 

Ao chegar em Uspallata, Arthur arranjou abrigo na casa de um senhor, porém essa estadia foi curta, já que ele ainda precisava chegar em Las Cuevas. Seriam mais 80km, mas desta vez, com uma dificuldade nunca encarada, a força do vento. “Fui pedalando por um trajeto muito bonito, com muitas montanhas, estradão limpo, mas quando faltavam mais ou menos uns 10km para chegar em Las Cuevas entrou um vento poderoso contra mim. Aquilo me judiou bastante e nunca havia pedalado com uma condição tão adversa. Foi bem complicado, mas consegui chegar com muito esforço e fiquei em um hostel, onde estavam meus amigos brasileiros de novo”, confessou.

 

Em Uspallata Arthur parou para fazer diversas fotos

Em seguida, o paulista percorreu 54km até Los Andes, local onde fica o Cristo Redentor, que marca exatamente a divisa entre Argentina e Chile. Todo o esforço valeu a pena ao chegar no topo do Cristo: “Foi uma das vistas mais lindas que já vi, dava para ver as montanhas cheias de neve, paisagem linda, com contraste de cor entre céu, montanha, neve…”. Dali em diante “só” faltavam cerca de 60km até chegar a Santiago, capital chilena, mas o frio era tanto que Arthur preferiu pegar uma carona de carro. Já em Santiago, Arthur montou na “18 kg” novamente e fez apenas 10km até o apê alugado por Daniel Pierre, onde ficaria até o fim do dia. Mas a sorte estava mesmo ao lado do brasileiro, que errou de porta.

 

“Lembro que entrei, tomei banho e fiquei esperando deitado de boa até que o Pierre me ligou e perguntou onde eu estava, avisando que tinha chegado já. Eu disse que também tinha chegado e aí percebemos que eu estava num apê errado e sinceramente não sei como isso aconteceu. Guardei minhas coisas e saí para ir ao apartamento correto. Realmente não sei o que houve, mas o apê estava aberto, consegui ficar um tempo, tomar banho, desfazer a mochila, sem saber que era o errado. Rs”, relatou novamente aos risos.

 

Arthur comemora chegada ao local da prova em San Bernardo, no Chile

 

Dia de competir no XTERRA Chile e a experiência da viagem, após mais de 250km pedalados, só aumentou o nível de Arthur Reis. Com um 4° lugar conquistado, o jovem revelou que não atingiu o objetivo de ficar entre os três primeiros, mas garantiu que faltou bem pouco e que irá ficar no pódio no XTERRA Brazil, em 11 de maio, em Ilhabela.

 

 

 

 

 

 

 

O triatleta fez questão de terminar o bate-papo agradecendo quem o ajudou em toda a aventura sul-americana e cogitando marcar presença em mais duas etapas gringas. “Tudo isso só foi possível graças aos amigos Laura Mira, Daniel Pierre, José Soto, Hector Tito, à academia Boa Forma Jordanesia e à grande amiga Joyce Rodrigues, que me ajuda desde que comecei no XTERRA, em 2016. Agora não é certeza, mas estou querendo ir ao XTERRA República Dominicana e ao XTERRA Utah, nos EUA, assim vou conseguir pontuar no ranking pan-americano, pois o regulamento exige participação em pelo menos cinco edições nas Américas”, explicou Arthur.