Sonho de “gente grande”

Aos 9 anos de idade, Luis Felipe Vitorino traçou e realizou um objetivo: participar da corrida kids do XTERRA Camp Ilha do Mel bancando sua própria inscrição

 

No Paraná, mais precisamente em Maringá, cidade com mais de 350 mil habitantes, vive Luis Felipe Vitorino, uma criança de 9 anos de idade, cuja perseverança e maturidade impressionam e geram esperança em uma família humilde. Criado de forma simples pela mãe Mônica e pelo padrasto Lucas, em uma casa sem internet por exemplo, o jovem aprendeu a sonhar cedo demais.

 

Felipe, como prefere ser chamado, participou de uma corrida local em Maringá, no início do último mês de maio. Foi sua primeira aparição em algo relacionado ao atletismo e ali, teve conhecimento do XTERRA, através de comentários dos adultos. Curioso e movido por um sonho em formação, o menino pesquisou pelo maior evento de esportes off-road do mundo e se encantou com o que viu. “Aprendi que o XTERRA é o que reúne tudo de melhor nas corridas e me impressionei com as fotos e vídeos lindos”, revelou Felipe Vitorino.

 

O sonho passou a existir: participar de uma etapa do XTERRA. A mais próxima de sua casa seria a etapa em Ilha do Mel, nos dias 10 e 11 de novembro. Meta estabelecida, mas, no entanto, faltava a verba, pois o padrasto ganha um salário modesto em seu serviço como auxiliar de pedreiro e a mãe está sem trabalhar por incapacidade física. Começaria então a sua primeira maratona, a de arrecadar fundos para concretizar a nova paixão. Nada que assustasse o pequenino, que realiza todos os serviços domésticos há mais de um ano, devido às condições de sua mãe. Dona Mônica nasceu com uma leve paralisia no lado direito do corpo e a lesão agravou no momento do parto de Felipe, mas só a impossibilitou de realizar atividades em setembro de 2017.

 

Felipe e sua mãe Mônica

 

“Quando o Felipe nasceu tive uma pré-eclâmpsia porque passou da hora dele nascer e forçamos um parto normal, isso agravou minha condição no lado direito do corpo, mas sempre trabalhei em lugares pesados, como abatedouros e frigorífico de frango, por exemplo. Quando foi 15 de setembro de 2017 eu fui fazer um trabalho e dei um mal jeito na coluna. Aí tive tendinite no pescoço e cervicalgia, foi onde perdi os movimentos do lado esquerdo e danificou de vez o direito. Fiquei 3 meses sem movimentar os dois lados. Hoje em dia, com muita fisioterapia, fé e tomando a medicação, já voltou meu lado esquerdo, mas não mexo mão, braço, perna e pé direitos”, explica Mônica.

 

Felipe começou a produzir bolos, brigadeiros, pulseiras indianas, bolsinhas de tricô e rifou uma cesta de doces para juntar a quantia necessária para correr no XTERRA Kids em Ilha do Mel. Após alguns dias de trabalho duro, vendendo seus acessórios e quitutes de porta em porta em Maringá, o menino conseguiu o dinheiro para realizar a inscrição e pagar um almoço para ele e sua mãe durante a estadia na Ilha. No dia do evento (10 de novembro), Felipe utilizou o app “Blá Blá Car” para pegar carona até Curitiba e depois até Paranaguá, onde conseguiram estadia na casa de um primo distante. Foram 10 horas de viagem e muita ansiedade, mas o objetivo foi atingido com muita força de vontade. Agora uma nova meta está traçada.

 

 

“Fiquei feliz demais, agradeço à equipe do XTERRA e a todos que me ajudaram a chegar na Ilha do Mel. Eu adorei tudo e agora já quero ir também na etapa de Paraty, no Rio de Janeiro, que será no dia do meu aniversário de 10 anos, 2 de dezembro”, revelou Felipe.

 

O caminho até Paraty foi ainda mais longo, mas o jovem contou com a ajuda financeira da Ric TV (TV Recorda do Paraná) e da organização do XTERRA, que cedeu hospedagem para ele e a mãe, além e bancar toda a alimentação durante os dois dias de estadia. Em Paraty, Felipe voltou a ficar em primeiro em sua bateria no XTERRA Kids, ganhou presentes da Speedo, uma merecida homenagem em cima do pódio dos adultos, além de um bolo de aniversário e um parabéns especial cantado pela equipe XTERRA.