Paulista estreante no XTERRA já venceu o câncer

Edilson Amato, feliz ao fim da prova de MTB em Ilhabela. Foto: Hércules Rakauskas

 

Quem olhava para Edilson Amato durante o domingo (13 de maio) do XTERRA Brazil, não imaginava que fosse sua estreia em uma competição de MTB. Bem familiarizado com a bike e à vontade sob a “magrela”, o veterano de 46 anos de idade sempre foi um esportista nato, daqueles que praticou várias modalidades, do futebol, passando pela musculação até chegar ao pólo aquático, por exemplo. Apoiado pela esposa Laura Amato, que correu e foi ao pódio (4° lugar geral) na Night Run 8,5 km no dia anterior, e pela filha Júlia, de 13 anos, Edilson completou a prova em 2h40min e garantiu ter se divertido muito em seu primeiro desafio off-road.  Porém a verdadeira dureza já havia sido travada fora das trilhas, contra o câncer, há quase 10 anos.

Natural de Mogi das Cruzes, Edilson sofreu com dificuldades no aparelho urinário, e todos os exames realizados não apontavam qualquer problema. Meses depois, quando enfim detectaram a doença, ela já estava em estágio avançado e acumulada entre bexiga e próstata. Apesar do medo, o paulista sempre foi acalmado pelo médico Gustavo Gusmão Rosa, que foi quem descobriu o tumor e falou: “você não vai morrer! És forte, atlético e adora viver”. Confiante nas palavras do doutor, Edilson travou uma dura e longa guerra para se manter à ativa. Depois de cinco anos, muitas cirurgias e quimioterapia, a alta oficialmente chegou. Era então a hora de mudar alguns hábitos.

“Sempre gostei muito de esporte e já fiz vários. Mas a vida me fez parar quando eu casei cedo, me separei, casei de novo…Quando eu fui diagnosticado com o câncer, em 2008, já estava pesando 114 kg e prometi que se saísse daquela eu mudaria algumas coisas”, disse Edilson, que começou uma dieta obrigatória durante o tratamento da doença, mas seguiu mesmo após a liberação médica. Em 2016, ele começou também a correr, muito por influência da esposa, uma corredora de primeira linha e amante da vida na natureza.

 

Edilson e famíliaEdilson ao lado de suas maiores incentivadoras, a esposa Laura e a filha Júlia. Foto: Hércules Rakauskas

 

A vontade de pedalar, ele conta, veio aos poucos, observando outros atletas da cidade. “Comecei a correr e nadar. Eu moro no interior de São Paulo, então via o pessoal pedalando enquanto eu corria e achei que poderia ser bem divertido. Resolvi comprar uma bike e sair junto com a galera. Deu certo e essa prova em Ilhabela foi apenas a primeira. Espero estar em outras e com menos quedas, pois ainda sou iniciante e caí algumas vezes. Caí feio ali no meio, perdi os óculos, bike quebrou, dei um jeitinho e voltei com tudo, mas no final valeu demais, foi divertido, ri bastante com as meninas (esposa e filha) contando a elas. Rsrs… faz parte! Faria tudo de novo com certeza”
O fato é que após cinco ano lutando por sua vida, qualquer percurso se torna “fichinha” para este campeão legítimo!