Cayo Lastiri contraria diagnóstico médico e brilha no XTERRA

Paulista utiliza calçado especial para superar deficiência física e completar a prova de Triathlon em Costa Verde

 Cayo Lastiri participou do Triathlon do XTERRA pela primeira vez. Foto: Thiago Lemos

 Cayo Lastiri nasceu com um encurtamento da perna (menos 8 cm) esquerda devido à uma infecção hospitalar que resultou na perda da cabeça do fêmur. À época, os médicos disseram aos seus pais que ele não teria movimento no membro danificado quando chegasse à fase adulta. Porém Cayo nunca se conformou com a previsão médica e encontrou no esporte a motivação que precisava para desenvolver a circulação adequada e afastar as chances de paralisia.

O primeiro esporte começou a ser praticado aos 12 anos, o tênis. Cayo conta que os esportes tinham que ser individuais e que não fossem de contato com outras pessoas. “Eu fui ativo desde criança, sempre de forma amadora e em esportes que desse para brincar sozinho. Meu pai me ensinou a jogar tênis e adorei aquilo, jogava bastante, mas os médicos sempre recomendavam a natação e aí comecei a nadar também, isso por volta dos 13 ou 14 anos mais ou menos. O esporte me permitiu provar que a medicina estava enganada e até hoje sigo fazendo uma ou outra atividade”, afirma.
A história de Cayo Lastiri no XTERRA começou em 2017, em Mangaratiba, quando participou do Swim Challenge (1,5 km) a convite do amigo Luiz Birolli, seu maior incentivador. Na ocasião, ele finalizou o trajeto, mas se apaixonou mesmo pelo Triathlon, que assistiu do início ao fim. Logo cogitou competir na dura prova, mas sabia que ainda precisaria de treinamento, de uma adaptação para sua perna e o principal: uma mountain bike.  

Cayo e amigoCayo e o amigo Luiz Birolli, sua maior influência. Foto: Thiago Lemos

“Achei o Triathlon incrível assistindo a galera. Apaixonei e aí no mês seguinte comprei uma MTB e comecei a pedalar com uns colegas e passei a correr também. Tudo isso utilizando um calçado especial que me ajuda muito porque ele compensa o pedaço que falta na minha perna esquerda. É um sapato normal, eu compro e depois levo a um sapateiro especializado e peço para colocar o aumento. Uso no dia a dia, então já estou habituado, para correr é um tênis diferente, mas também com o solado bem grande”, explica.

Com menos de um ano de prática no triathlon, Cayo se sentiu seguro para realizar o tri do XTERRA Costa Verde 2018. O resultado foi gratificante e o objetivo cumprido. “Achei bem puxado, é dureza mesmo. O especial para mim foi ter conseguido terminar a prova, eu vim com esse propósito, afinal era minha primeira vez. Senti um pouco ali no finalzinho, dei uma segurada, alonguei, voltei devagarzinho e deu para terminar bem”, revela.

Pé do CayoCayo usa um calçado especial no dia a dia para compensar o encurtamento da perna esquerda. Foto: Thiago Lemos

Perguntado se ainda irá competir no Triathlon do XTERRA, Cayo não hesita. “Já estou inscrito em Ilhabela e, dependendo de como for o treinamento, talvez eu me inscreva em outras. A experiência é maravilhosa”, afirma Cayo Lastiri, de 45 anos de idade.