39.0481, -77.4728
  • 01 e 02 de dezembro

    PARATY

    Paraty - RJ

    -23.212859, -44.711337 Inscreva-se Saiba Mais
  • 9 e 10 de Fevereiro

    Costa Verde 2019

    Mangaratiba - RJ

    -22.949793, -44.074256 Inscreva-se Saiba Mais
  • 08 e 09 de Junho

    Praia do Forte 2019

    Mata do São João – BA

    -12.574687, -38.004731 Inscreva-se Saiba Mais
  • 13 e 14 de Julho

    Agulhas Negras 2019

    Resende – RJ

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  • 28 e 29 de setembro

    Estrada Real 2019

    Tiradentes – MG

    -21.110108, -44.173202 Inscreva-se Saiba Mais
  • 10 e 11 de novembro

    Camp Ilha do Mel

    Ilha do Mel – PR

    -25.517005, -48.334969 Inscreva-se Resultados Saiba Mais
  • 20 e 21 de outubro

    Camp Praia do Rosa

    Imbituba – SC

    -28.226547, -48.668486 Inscreva-se Resultados Saiba Mais
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    Eduardo Mori conta como realizou o sonho de correr sua primeira ultramaratona

    eduardo_mori21-825x340
    Dois anos depois de correr 18k do XTERRA em Ilhabela, o sonho de correr o Endurance 50k do XTERRA de Ilhabela chegou!
    Finalmente, atravessar a balsa, colocar o pé nesta terra maravilhosa e no dia da prova logo cedo, depois de retirar o kit,  ver a energia deste mega evento, presenciando a chegada dos primeiros colocados do triathlon, foi emocionante. O coração batendo forte, o medo, a ansiedade e a emoção me pegaram de um jeito que foi difícil conter todo este “mix” de sentimentos.
    A prova por si só já era muito desafiadora, sendo considerada uma das mais difíceis provas de 50k do Brasil, mas este ano a organização do evento decidiu mudar o trecho inicial de cerca de 8km fáceis para o trecho ao meu ver mais difícil, aumentando a altimetria total da prova para mais de 2.300 metros! Apenas para se ter uma ideia do que é isto, todos devem conhecer a corrida da São Silvestre e a temida subida da Brigadeiro Luis Antônio, certo? Pois bem, ela só tem cerca de 100 metros de altimetria! (ganho de elevação) Sentiu o drama? rs…
    Faltando dez minutos para o início da prova rumo à largada, tiramos algumas fotos, novas amizades e alguns comentários do tipo… “você vai correr somente com isto?” , respondo, sim! minimalista total! RS…
    (comentário em referência a utilização de apenas um cinto de hidratação e tudo o necessário como: suplementação, alimentação e kit sobrevivência literalmente “comprimido” dentro dele)
    Para quem não conhece o termo “minimalista” no mundo da corrida, este se refere a um tipo de tênis com o mínimo de amortecimento e o máximo de leveza. Assim, fiz o uso deste conceito devido ao custo x benefício (ou mais diretamente a única opção que eu tinha rs.. ), algo que parece normal, mas não em uma corrida tão longa e de aventura onde 90% (ou mais) dos corredores estavam correndo com mochilas de hidratação.
    A largada ocorreu pontualmente as 14h do sábado e os metros iniciais se deu o primeiro desafio, “encontrar minha esposa e meu filho de 4 anos” os quais nunca haviam me visto correr. Consegui encontrá-los somente ao passar por eles, mas eles não me viram, assim, fui para o canto e voltei alguns metros já com receito de esbarrar nos demais corredores e causar um acidente. Chamei eles mas apenas minha esposa me viu, acenei rapidamente para voltar a correr e vi de longe que meu filho olhava para o meio dos atletas tentando me achar. Porém tive que me virar e voltar a correr para não atrapalhar nem ser atropelado pelos demais atletas. Ali já fiquei um pouco chateado e aquela imagem do meu filho me procurando ficou gravada na minha mente. Mas eu tinha que me focar na corrida, pois não seria nada fácil e sabia que o que ele mais queria era cruzar a linha de chegada comigo (já havia combinado com ele).
    Pouco adiante encontro a Tomiko, uma senhora de 64 anos que corre mais do que muita gente. Só para se ter uma idéia, ela já correu ultramaratona de 100km, realmente uma lenda e exemplo de determinação. Corri alguns metros com ela e depois segui adiante.
    Após 2 km encontramos o novo trecho desta prova, com subidas fortíssimas que aliado ao tempo quente e o sol, desgastou bastante a todos. As descidas em trechos de mata recém abertas em terreno bastante acidentado que já seriam difíceis de se percorrer com a terra seca, mais parecia escorregador, pois como choveu alguns dias antes, as trilhas estavam bem escorregadias e mesmo os mais experientes e com tênis específicos para provas de aventura os tombos foram inevitáveis, mesmo se segurando nas árvores, raízes e cipós para descer. No meio da descida, passo por um atleta falando com o Staff da prova, perguntando se faltava muito para sair da mata fechada, pois ele havia deslocado o tornozelo e apesar das dores ele conseguiu colocar no lugar e estava tentando chegar a algum lugar que os médicos pudessem ajudá-lo. Ali minha atenção e preocupação foi duplicada, triplicada, pois eu estava correndo com tênis de corrida de rua que naquela situação estava difícil parar em pé, parecia que eu estava esquiando e por várias vezes eu só conseguia parar com a ajuda das árvores! Este novo trecho se parecia mais com uma prova de aventura e sobrevivência do que uma corrida!
    Depois dos primeiros 10km e voltar ao nível do mar, vi o quanto seria difícil, pois levei simplesmente o dobro do tempo estimado para percorrer este trecho.
    À partir daqui, começa a subida sentido à praia de Castelhanos, do outro lado da Ilha. Nos primeiros kms desta subida eu já senti câimbra levemente nas pernas o que me assustou um pouco, pois estávamos apenas no começo da prova. Alguns metros adiante no meio da trilha fechada e poucos raios solares penetrando as arvores, passo um corredor bem mais lento que diz estar com problemas nas pernas, logo em seguida passamos uma cachoeira onde eu paro para me refrescar e lavar o rosto, olho para trás e vejo o rapaz também parando, mas não para se refrescar e sim para ali fazer uma oração, talvez pedindo para que consiga forças para continuar na prova, outro ponto que me surpreendeu bastante.
    Na metade da subida da ida para Castelhanos com 15 Km, uma fortíssima câimbra pegou minhas duas pernas de uma vez e travei. Quando começou a passar, caminhei por alguns minutos me arrastando, aquilo me abalou muito, pois estava apenas no primeiro terço da prova e eu até imaginava passar por isto, mas somente na volta, com mais de 30 km e não ali, tão no começo. Eu só havia me deparado com câimbras assim em 3 provas até hoje, sendo que todas foram no final das provas e mesmo assim eu nunca havia pensado em desistir, mas admito que desta vez cheguei a pensar, pois faltava não só 35km, mas ganhos de elevação, mata fechada, declives e grandes dificuldades pelo percurso.
    Naquele momento veio a tona muitas lembranças… o quanto treinei duro para estar ali, o quanto sonhei fazer esta prova, o quanto meu filho gostaria de me ver chegando (como ele diz: “pai herói”) e cruzar a linha de chegada comigo, o apoio da família para eu estar ali, também lembrei a cena do filme “desafiando gigantes”, onde o treinador propõe um desafio a um dos jogadores a superar seus limites e após estar no limite de seu esforço ele vai gritando palavras de incentivo e diz “Agora é só coração! Não desiste, vamos!”, tudo isso somado a vontade e ao pensamento de “desistir jamais”, me levou a continuar, afinal, não era só dor, mas sim uma satisfação e o prazer de poder estar ali realizando um sonho.
    Cheguei ao topo finalmente, me hidratei, alimentei e segui adiante, mas bem devagar, pois sabia que tinha que me poupar ao máximo. Logo nos primeiros Km´s de descida, havia um mirante com uma paisagem linda para a praia de Castelhanos, onde já quase anoitecendo, só dava para ver toda a praia encoberta por um mar de nevoeiro ou nuvens bem rente ao mar, mas de uma beleza ímpar. Ali parei para apreciar a paisagem e tirar uma foto, quando encontrei a Tomiko novamente e passamos a descer juntos por alguns Km´s, já no final da descida segui sozinho e no meio da escuridão total, atravessei  rios derivado de alguma cachoeira ao lado e uma ponte que me fez lembrar a “ponte do rio que cai” foi indescritível.
    Chegamos à praia de Castelhanos e num breu, lembrei dos relatos que li de atletas que correram esta prova nos anos anteriores, onde eles citavam que tinha tochas iluminando o caminho até o ponto de hidratação, mas cadê as tochas? Talvez por este anos a largada ter sido duas horas antes dos anos anteriores a organização não achou necessário.
    Neste momento a Tomiko me alcança e seguimos de novo pela praia juntos, mas pouco adiante senti o cansaço e diminui o ritmo.
    Km 30 finalmente! Hidratei muito, com direito a coca-cola, isotônico, banana, amendoim com uvas passas e se preparar para o trecho mais temido, a subida que prometia ser mais difícil do que o da ida, devido a inclinação e ao desgaste já sofrido. Olhei para o lado e vi a Tomiko se despedindo do pessoal e voltando a correr, assim eu rapidamente completei minhas garrafinhas e saí correndo para tentar ir ao lado deste “monstro de experiência e determinação”. Soube naquele momento que um dos vencedores da prova de 80km estava ali e havia desistido da prova, além de outro atleta que havia urinado sangue e também parou. Percorri metade da subida de volta ao lado dela, onde conversamos muito sobre corridas, experiências, família e muitas outras coisas, que de alguma forma, me transmitiu uma energia tão incrível e deu forças para eu continuar. Mas senti mais uma vez as pernas na metade desta subida e diminui o ritmo, assim ela seguiu adiante e eu comecei a pensar o quanto minha esposa ficaria preocupada, pois minha estimativa de concluir a prova já havia passado e eu havia comentado que achava que chegaria na frente da Tomiko.
    Naquele momento não tinha escolha, era tentar chegar ao cume novamente. Na subida, sozinho, no meio da escuridão, apenas com a visibilidade da minha lanterna o qual alcançava apenas uns 2 a 3 metros, vi um pequeno ponto verde brilhante no meio da estrada, ao continuar correndo e me aproximar vi que era um vagalume, achei tão lindo que iluminei-a com minha lanterna no sentido de brincar com ele, foi quando levei um susto, pois um pássaro veio derrepente e engoliu o vagalume. Que revolta! Que dó! RS… É a lei da natureza, mas me senti culpado, pois ele só foi pego porque eu iluminei ele e ficou fácil para o pássaro aproveitador!
    Após subir por km´s sozinho sem ver nenhum outro atleta próximo, cheguei ao cume e ali sabia que mesmo faltando mais 13km eu chegaria e completaria a prova, pois agora seria só descida. Me alimentei e hidratei bastante novamente, liguei para minha esposa para avisar que em cerca de 1 hora eu estaria chegando e assim se preparar junto ao meu filho para que estejam na chegada no momento certo e segui morro abaixo.
    Já nos primeiros Km´s de descida nova surpresa, encontro a Tomiko, a qual pensava que já estaria terminando a prova. Ao conversar com ela, a mesma diz ter ido muito bem na subida, mas na descida a perna estava sentindo um pouco, por isso diminuiu o ritmo, mas por incrível que pareça, minhas pernas estavam bem e desci com uma força além de mim, passei alguns atletas e nem parecia que já tinha corrido mais de 40km com toda aquela dificuldade e ainda tinha energia e forças para correr daquela forma.
    Momentos depois, acaba a bateria do meu frequencímetro Garmin e fico sem noção do tempo de prova e distância para o pórtico de chegada.
    Próximo da linha de chegada, procuro meu filho e não encontro, várias pessoas gritando palavras de incentivo e parabenizando-me, assim, cruzo a linha de chegada com a sensação de vitória, satisfação e prazer incrível tomam conta de mim.
    Minha primeira Ultra de 50k com variação de mais de 2.300 metros de altimetria concluídos em 08h e 26 min.
    Alguns minutos depois, encontro minha esposa e filho uns 200 metros antes da chegada, logo, vejo meu filho correndo em minha direção com toda a alegria do mundo brilhando em seus olhos, pego na mão dele e voltamos a correr juntos, muito feliz e orgulhoso cruzamos a linha de chegada com a sensação de vitória!
    Agora é comemorar, tirar fotos e encontrar alguns atletas citando o quanto ficou mais difícil esta prova , onde o tempo deles aumentou de 1h a mais de 2h de prova em relação aos anos anteriores. Encontro também o rapaz que havia deslocado o tornozelo e nova surpresa, pois não havia prestado atenção quem era no momento da corrida, mas era o mesmo que eu havia conhecido a minutos antes da largada. Ele relatou o o corrido e diz ter abandonado a prova, mas estava bem e andando.
    Soube que muitos atletas experientes e de elite que competiram nas provas de 50k e dos 80k desistiram, muitos amadores também, sem falar no número de lesões que com certeza deve ter aumentado muito principalmente pelo percurso do 1º trecho novo que surpreendeu muita gente e acabou com a estratégia de grande parte dos atletas.
    Estatística:
    80k
    Mais de 60 inscritos, sendo que somente 16 atletas (13 homens e 3 mulheres) conseguiram concluir. E destes, apenas 07 homens e 01 mulher conseguiram finalizar dentro do prazo máximo da prova que foi de 14h.
    50k
    Mais de 160 inscritos, sendo que somente 123 atletas (106 homens e 17 mulheres) conseguiram concluir.
    XTERRA…Ilhabela… I´ll be back to 80k!
     I Love it!

    Vídeo com tudo de mais irado que aconteceu no XTERRA pelo Mundo em 2014

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    Vídeo com tudo de mais irado que aconteceu no XTERRA pelo Mundo em 2014.
    O XTERRA World Tour dá aos atletas a oportunidade de competir em alguns dos mais espetaculares e desafiadores ambientes naturais do planeta. Veja um pouco do que aconteceu no XTERRA pelo mundo em 2014 e prepare-se para mais desafios em 2015.

    2014 XTERRA World Tour Video from XTERRA TV on Vimeo.

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